Incentivo à inovação

Entre outras novidades, o PUCTec inaugura espaço para dar suporte às startups, que apresentam crescimento
Novas instalações do PUCTec funcionará na Unidade Praça da Liberdade | Foto: Raphael Calixto
Novas instalações do PUCTec funcionará na Unidade Praça da Liberdade | Foto: Raphael Calixto

O PUCTec, hub de formação, inovação e negócios da PUC Minas, inaugura neste semestre espaço com 28 postos de trabalho compartilhados na Praça da Liberdade, bairro Funcionários, em Belo Horizonte. A novidade tem bons motivos para se concretizar: depois de quase quatro anos, o hub se consolidou, fomentou várias startups, que apresentam bons resultados, e busca novos investidores.
O novo espaço, que funcionará na rua Sergipe, 837, junto à Unidade Praça da Liberdade, tem 75 metros quadrados disponíveis para novas e atuais startups participantes do Programa de Indução e ambiente equipado com TVs para permitir a interação on-line, como explica o coordenador do PUCTec, professor Humberto Torres Marques Neto. O espaço é destinado à indução de startups, a exemplo do que funcionava no WeWork, no bairro Santa Efigênia. As startups também desfrutam de uma sala destinada a reuniões no prédio 43 (sala 409), no Campus Coração Eucarístico.

Todo esse investimento tem razão de ser: recentemente, o PUCTec, assim como o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) tiveram projetos aprovados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). São cinco bolsistas (dois de mestrado e três da graduação, atendendo tanto no espaço na Praça da Liberdade quanto na sala no prédio 43). Os mestrandos trabalharão na articulação com as startups, dando orientação para fomento delas. Já os da graduação, das áreas de Negócios, Direito e Tecnologia, atuarão na S.A. PUCTec, onde as startups terão suporte nesses segmentos. São bolsistas do PUCTec e também da Fapemig. Por exemplo, uma startup tem a necessidade de fazer um site para interagir, então esses estudantes, sob orientação de professores, poderão desenvolver essa ferramenta para a startup, diz o professor Humberto.

Outra novidade em 2022, segundo o professor Humberto, é o estabelecimento de novas parcerias pelo PUCTec, com GV Angels, Anjos do Brasil e FDC Angels, que reúnem empresários que querem investir em startups, os chamados venture builders, construtores de risco que trazem mais dinheiro para desenvolver startups e em troca têm participação no negócio. “O PUCTec tem conversado com grupos interessados em fazer investimentos nas startups, está procurando investidores”. O Programa de Indução do PUCTec, cujo novo edital foi lançado neste semestre, destinou até 50% das propostas ao público externo e oferece às startups tutoria, consultoria de empresa externa e assessoria para a criação do CNPJ.

Crescimento exponencial

“A PUC Minas deveria vender essa estrutura para outras instituições com o que ela criou com o PUCTec, que é uma ação de inovação muito forte, isso não tem em outras universidades”, Renato Borges, fundador e CEO da Agrointeli | Foto: Arquivo pessoal

A startup Agrointeli cresceu sete vezes desde que foi criada, na primeira edição do Programa de Indução de Negócios do PUCTec, em 2019. A Universidade tem participação na startup, que atualmente vale em torno de R$15 milhões, estima o coordenador do PUCTec. A startup atua em mais de 450 fazendas na América Latina e em 19 estados brasileiros.

O principal produto da startup Agrointeli é uma plataforma de inteligência artificial que conecta os agricultores às suas lavouras. Trata-se de uma ferramenta que auxilia na gestão do processo agrícola, proporcionando ao produtor elementos para uma tomada de decisão mais assertiva, por meio de plataforma completa, que reúne dados do campo. Isso facilita ao produtor de pequenas, médias e grandes propriedades decidir em que momento fazer o pré-plantio, o plantio, a colheita, a pulverização, por exemplo.

Um dos clientes da Agrointeli, no Rio Grande do Sul, reduziu em 17% o uso de insumos/defensivos agrícolas na safra de soja de 2020/2021, num investimento total de R$1 milhão em químicos, obtendo uma economia de R$170 mil. “A PUC Minas deveria vender essa estrutura para outras instituições com o que ela criou com o PUCTec, que é uma ação de inovação muito forte, isso não tem em outras universidades”, elogia o fundador CEO da Agrointeli, Renato Borges. Foram mais de US$ 1 milhão em investimentos desde a fundação da startup. “Quando vi que o PUC Tec na PUC Minas não era só pesquisa, é business, fiquei animado. Não vi isso em outros lugares”, diz Renato, que já residiu no Chile.
“Da primeira rodada de 2019 o programa cumpriu muito bem seu objetivo, as startups que receberam investimento sobreviveram à pandemia e continuam crescendo”, afirma o coordenador do PUCTec, linha que as startups têm seguido em 2021.

Renato Borges foi premiado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT/EUA), por meio da Revista MIT Technology Review, como um dos jovens, abaixo de 35 anos, mais inovadores da América Latina. A Agrointeli também foi eleita a mais inovadora em 2019 pelo Innovation Latam. Em 2021, a revista Forbes o elegeu como um dos jovens mais promissores abaixo dos 30 anos.

Encontro entre investidores

A startup Bizzer é clube de negócios integrado pela professora Simone Queiroz, do Curso de Administração da Unidade Praça da Liberdade | Foto: Raphael Calixto

Já a startup Bizzer, que também participa do Programa de Indução de Negócios do PUCTec, tem como objeto encontros personalizados entre franqueadores e prospects, ou seja, conecta aqueles que desejam apresentar seus negócios com os interessados em negócios. Atualmente, a startup está estabelecendo parcerias na área tecnológica para desenvolver o aplicativo que proporcionará esses encontros. Assim é o clube de negócios Bizzer, startup integrada pela professora Simone Queiroz, do Curso de Administração da Unidade Praça da Liberdade, por Ana Flávia Cavaliere de Moura, Luiz Felipe Sena Costa e Pedro Aguilar Lima, também da Praça da Liberdade.

A startup também conduz a estruturação de cursos sobre mercado e tecnologia, necessidade de cursos de linguagem de programação e desenvolvimento de software para empresas, ofertas de desenvolvimento detectadas nas necessidades do mercado, cuja área de negócios precisa dialogar melhor com a tecnologia, considera a professora Simone Queiroz. “Área de negócios, produtos e serviços, muitos deles precisam estar presentes no meio digital, por meio da web/mobile. Não se consegue muitas vezes que modelos de negócios sejam convertidos para a tecnologia”, afirma a professora. “Há uma necessidade de modelação/estruturação do modelo tecnológico e da presença digital”. A startup tem desfrutado de mentoria e de bolsista de pesquisa financiado pelo PUCTec, na área de tecnólogo em mídias sociais, contribuindo muito para posicionar a Bizzer nas redes sociais.

A professora Simone acredita que o projeto é de muito potencial de mercado. “Acredito muito na criatividade e inovação da ideia da startup Bizzer. Vai possibilitar muitas conexões importantes, oportunidade de negócios a serem alavancados. É uma possibilidade de investidores encontrar formas de investimento, que, ao mesmo tempo, traga satisfação e desenvolvimento para os negócios, proporcione troca de ideia e extensão”, diz a professora Simone.

Ela diz que o PUCTec foi uma oportunidade de executar as várias ideias que surgem na disciplina. “Esse projeto conseguiu ser executado por causa do empenho do PUCTec”, afirma.

Outra startup é a AlfaBeta, um aplicativo que auxilia no processo de alfabetização de crianças, jovens e adultos, de forma gamificada e digital, considerando as variações linguísticas regionais. O projeto foi apresentado pelos estudantes Vitor Fiuza Rocha e Tamiris Cristina Silva Braz (Curso de Pedagogia), pelos professores do Departamento de Educação José Wilson da Costa e Lenise Maria Ribeiro Ortega, juntamente com os alunos Tamara Souza da Silva (Pedagoga/mestranda – PUC Minas) e Paulo Gabriel Claro (Curso de Administração). O projeto nasceu de dificuldades de alfabetizadores, identificadas na pandemia de Covid-19, pelo fato de eles não terem recursos pedagogicamente adequados para o ensino no modelo remoto emergencial. Assim, com o apoio do grupo Educação, Tecnologia, Cultura e Sociedade (ETCS), vinculado ao Programa de Pós-graduação em Educação, estudou-se a viabilidade da aplicação da proposta se tornar um aplicativo.
De acordo com o professor José Wilson, o número de atividades do aplicativo é bem grande, pois abrange todas as regiões do país. “Cada trilha percorrida representa uma região, assim podemos contemplar o regionalismo e nos aproximar das expressões, lugares e objetos da realidade dos usuários”, diz. O professor conta que, no ano passado, implementaram uma parte do aplicativo e fizeram testes em uma escola municipal de BH, com crianças e adultos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Foi uma ótima experiência, que demonstrou a efetividade da abordagem conceitual preconizada”, diz.

“O aplicativo respeita o ritmo do aluno, trata os erros e acertos. Dá ênfase à região onde a criança está, considera o lugar, contexto e o ambiente”, explica o professor José Wilson. A ferramenta apoia-se em estratégias pedagógicas pluri metodológicas e desenvolveu um formato exclusivo de diagnóstico que soma os Developmental Continuums, framework, utilizado pelos países com melhor nota na avaliação do Pisa, com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e personalizam a aprendizagem, oferecendo rica possibilidade de auxílio à alfabetização e ao letramento dos usuários. O diferencial é a capacidade de personalizar o processo de alfabetização do usuário, a partir do seu próprio ambiente e cultura, por meio de um sistema de geolocalização.

O professor ressalta que a participação dos membros da startup nos editais e mentoria do PUCTec Indoor foi muito útil na construção da empresa. “Só o conhecimento científico não basta. Precisamos saber como funciona, como se estrutura uma startup”. O público-alvo são escolas, secretarias de Educação, famílias e profissionais de área afins.

Programa de Indução de Negócios

Voltado para professores, alunos e funcionários da PUC Minas, o programa PUCTec Indoor, que tem o objetivo de fomentar o empreendedorismo entre a comunidade acadêmica, neste edital contempla metade das oportunidades para o público interno e até metade para o externo.

Recentemente, por meio do PUCTec, a PUC Minas induziu a criação de dez empresas a partir de projetos da comunidade acadêmica selecionados no programa PUCTec Indoor, modalidade do Programa de Indução de Negócios do PUCTec. Indução de empresas por universidades é comum no Brasil e no mundo, mas entre universidades brasileiras a novidade é que a PUC Minas as acompanha depois da criação, as fomenta com consultoria, mão de obra (bolsista) e conteúdo sobre empreendedorismo, mercado e tecnologia, a fim de que se tornem uma startup promissora e comecem a, de fato, vender, ressalta o professor Humberto Torres.

As 20 equipes iniciais receberam da PUC Minas capacitação e conteúdo. As dez selecionadas contaram com verbas da PUC Minas para abertura e formalização da startup, criando o CNPJ e o contrato social. “A PUC Minas tem 15% de direito de participação em cada startup para promoção do ciclo virtuoso da produção de conhecimento que entrega valor para a sociedade através de produtos e serviços inovadores”, diz o professor Humberto.

Na segunda fase, a PUC Minas ofereceu aos participantes consultoria de mercado ministrada pela IEBT, a fim de as startups viabilizarem a colocação de seus produtos no mercado. A PUC Minas ofereceu também até oito horas de assessoria técnica de professores e pesquisadores e conteúdo online sobre empreendedorismo e inovação, através da PUC Minas Virtual.

Núcleo de Inovação Tecnológica apoia registro de patentes

O PUCTec está buscando investidores para as startups. E um dos maiores interesses de um investidor é que o conhecimento esteja protegido, patenteado, para que se possa investir em segurança. O Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), também ligado à Pró-Reitoria de Pesquisa e de Pós-graduação (PROPPG), dá apoio ao registro da patente, do software, a fim de proteger o conhecimento gerado na Universidade. Abaixo alguns pedidos de registros de patentes:


  • Sistema para Conversão Dinâmica entre Ciclos Termodinâmicos de Motores de Combustão Interna BR 10 2018 011914 1, de autoria do grupo de pesquisa do Centro de Pesquisa em Motores Emissões e Combustíveis (CPMEC), ligado ao Instituto Politécnico (Ipuc).
  • Sistema de Injeção Eletrônica de Hidrogênio ou Gás Natural Veicular para Aplicação em Grupo Gerador Diesel, ligado ao grupo do CPMEC.
  • Dispositivo para Massagear os Músculos da Articulação Temporomandibular de Indivíduos com DTM. O dispositivo foi criado sob orientação dos professores Rodrigo Villamarim Soares e Paulo Isaías Seraidarian, entre outros autores.
  • Modelo ajustável de Previsão de Séries Temporais para Eventos Extremos de Precipitação baseado em Redes Neurais Recorrentes. O trabalho é resultado da dissertação do aluno André de Souza Araújo, orientado pelo professor Luis Zárate, no Programa de Pós-graduação em Informática (PPGInf) e teve a colaboração da meteorologista Adma R. Silva. O estudo recebeu o apoio financeiro da Fapemig.

PARA SABER MAIS

O aluno interessado em ser atendido pelo Tecendo o Aprender deve entrar em contato com o projeto por meio do e-mail lapepucminas@gmail.com, ou através da página do Instagram do Lape em @lapepucminas e solicitar o atendimento.

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