revista puc minas

Graduação Incentivo ao empreendedorismo

Rodolfo Lopes: participar de uma empresa júnior é uma das melhores formas de adquirir experiência profissional

Universidade promove diversas iniciativas nas áreas de gestão e de tecnologia

“Independentemente da área de formação o empreendedorismo e a capacidade de inovação perpassam todas as formações na PUC Minas”

Professora Maria Inês Martins, pró-reitora de Graduação

A PUC Minas é considerada uma das dez universidades brasileiras, entre públicas e privadas, na preferência das empresas no momento da contratação, de acordo com o Ranking Universitário Folha (RUF). Mas, a que se deve a predileção pelos profissionais formados na PUC Minas? A resposta pode estar no incentivo ao empreendedorismo que, agregado ao ensino de excelência e à formação humanística, forma profissionais capacitados com habilidades técnicas, gerenciais e relacionais, preparados para enfrentar os desafios do mercado.

De acordo com a pró-reitora de Graduação, professora Maria Inês Martins, o empreendedorismo consta na filosofia de formação do aluno e, em vários cursos ofertados na Universidade, é disciplina obrigatória. “Há um consenso estabelecido que independentemente da área de formação essas competências e habilidades devem perpassar todas as formações, tanto o empreendedorismo quanto a capacidade de inovação. Estamos sempre tentando antever quais são as tendências de formação e de mercado”, explica a pró-reitora de Graduação.

Em todos os cursos de graduação a Universidade oferece diversas possibilidades para o aluno desenvolver e exercitar essas competências em atividades extraclasse, seja por meio de projetos ou de parcerias da Universidade com diversas instituições que visam o mercado de trabalho. Uma dessas oportunidades é o Ideias.

Ideias: metodologia prática, dinâmica e ativa

A Incubadora de Desenvolvimento Econômico e Social (Ideias) é um programa fomentado pela Pró-Reitoria de Extensão (Proex) e pelo Instituto de Ciências Econômicas e Gerenciais (Iceg) e visa promover o desenvolvimento local de forma sustentável com melhoria das condições de vida das pessoas, fomentando o crescimento econômico, a preservação ambiental e redução das vulnerabilidades sociais, por meio da aplicação do conhecimento científico e da inovação tecnológica. Criado em 2015 no Campus Betim, o projeto se tornou um programa em 2017 e foi expandido para outras unidades, como o Coração Eucarístico e o São Gabriel. Com perfil multidisciplinar, tem uma equipe composta por alunos dos cursos de Administração, Direito, Engenharia de Produção e Psicologia, entre outras formações, além de professores que orientam as atividades. “Temos alunos de cursos diferentes desenvolvendo o mesmo projeto e trocando experiências. Esse intercâmbio de conhecimento é a grande riqueza”, pontua o coordenador do programa, professor Osvaldo Maurício de Oliveira, que também é coordenador do Curso de Administração no Campus Betim.

“A concepção do programa nasceu no sentido de termos na Universidade um espaço onde alunos e professores de qualquer curso pudessem pensar em soluções para demandas da sociedade e, a partir das demandas que nos chegam a todo momento, poder aplicar o conhecimento adquirido em sala de aula para solucionar esses problemas. Pode ser uma demanda de negócio ou uma demanda social”, explica Osvaldo Oliveira. Recebida essa demanda, a equipe analisa, desenvolve um projeto baseado nas necessidades e objetivos almejados pela instituição solicitante, busca parceiros para a captação de recursos e seleciona alunos que queiram trabalhar na sua execução, de forma voluntária ou por processo seletivo da Proex.

Cerca de dez projetos já foram desenvolvidos em Betim, onde o programa já tem maior experiência. Economia solidária, projetos de empreendedorismo para escolas localizadas em comunidades de baixa renda e planejamentos de incubação de negócios de alunos são algumas das frentes de trabalho do grupo. Uma das ações de grande repercussão do Ideias neste ano foi a organização do Pint of Science, festival internacional de ciência que visa debater temas acadêmicos de maneira informal, em rodas de conversa realizadas em bares. Outro projeto de destaque é o Observatório Empresarial, premiado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Minas Gerais (FCDL-MG), concorrendo com projetos de 200 municípios.

Competências desenvolvidas

Para o professor Osvaldo, o formato tradicional de ensino, em sala de aula, com avaliações por meio de provas, já não é suficiente. Por isso, atividades com metodologias ativas, em que o aluno desenvolve conhecimento a partir da aplicação em forma prática do conteúdo teórico aprendido em sala, despertam o interesse pelo dinamismo. “O Ideias se coloca como uma opção para esse novo formato de ensino, em que o aluno, a partir de um projeto real, traz o conhecimento que está desenvolvendo no seu curso e já o aplica, testando junto com outras áreas, como realmente funciona em uma empresa ou organização. É um modelo de ensino dinâmico, prático e ativo”, afirma o professor, que também ressalta os benefícios comportamentais, como o desenvolvimento de competências em relacionamento interpessoal, trabalho em equipe, liderança, análise crítica e gerenciamento de projetos. “Temos uma grande preocupação de o aluno não simplesmente participar de um projeto, mas criar sua carreira durante a sua formação na Universidade. O Ideias se coloca como uma proposta de desenvolvimento de carreira para que esse aluno se prepare profissionalmente para esse mercado de trabalho e esse processo empreendedor”, ratifica.

Petrick Pegoritti é extensionista do Ideias há dois anos e se voluntariou para participar porque se interessou pela gama de atividades que o programa oferecia, como os projetos, eventos e palestras. “Na época, não trabalhava na área em que estudava e enxergava na incubadora a possibilidade de aplicar na sociedade um pouco do que é ensinado na Universidade, principalmente nos projetos que envolviam assessorias empresariais e pesquisas”, conta. Dentre as ações em que se envolveu, ele destaca a Assessoria Empresarial, o Observatório Empresarial, o Empreendedorismo na Escola e o Pint of Science. “Entrei junto com a primeira equipe do programa, conheci todos os integrantes que já passaram na incubadora, e participei de todos os projetos. Devo à minha experiência na incubadora tudo o que conquistei até o momento, dentro da área que estudo”, diz o aluno do 7º período do Curso de Administração, que já está inserido no mercado de trabalho graças ao Ideias, que fez com que ele desenvolvesse uma rede de contatos e conhecesse a empresa em que trabalha hoje.

 

Empresas Juniores

Autonomia para empreender na Universidade

O aluno Petrick Pegoritti, extensionista do Ideias, e o professor Osvaldo Oliveira, incubadora que tem perfil multidisciplinar

Outra possibilidade de exercitar a teoria vivida dentro de sala de aula, as empresas juniores, associações sem fins lucrativos formadas e geridas por alunos de ensino superior, possibilitam que estudantes se aproximem do mercado de trabalho, atendendo demandas especializadas de empresas de pequeno, médio e grande portes, sob a tutoria de professores.

Atualmente, existem nove empresas juniores localizadas em alguns campi e unidades da PUC Minas: Ipro Jr; Ápice Consultoria Jr; Consultoria Acadêmica Jurídica (CAJ); PUC Consultoria Júnior (PCJ); Produção Consultoria Jr. (PCP); Cetec Consultoria Júnior; Associação de Negócios Integrados – ANI Consultoria Jr; Forward Consultoria Jr. e PUC Projetos e Consultoria Empresaria Jr. Algumas dessas empresas são multidisciplinares; outras são específicas do seu curso de origem, como Engenharia.

Ao participar dessas empresas, os estudantes têm a possibilidade de experimentar a vivência de mercado, por meio da elaboração de projetos complexos e administração de uma empresa real. De acordo com o coordenador do Curso de Engenharia de Produção da PUC Minas Barreiro e tutor das empresas PCP Jr e Ipro Jr, professor Silvio Júlio Cavalcanti de Freitas, participar de uma empresa júnior é uma das melhores formas de adquirir experiência profissional. “Em uma empresa júnior o aluno desenvolve a capacidade de relacionamento com colegas e parceiros, com o trabalho em grupo, a se relacionar com empresas externas e clientes, além da gestão da própria empresa e o desenvolvimento do seu produto. É uma ótima escola para quem quer empreender e para aqueles que querem se preparar como gestor de uma empresa”, afirma.

Aluno do Curso de Engenharia de Produção da Unidade Barreiro e atual presidente da PCP Jr., Rodolfo Lopes Souza Ribeiro ressalta que a própria missão do movimento de empresas juniores é formar, por meio da rotina empresarial, empreendedores comprometidos e capazes. As atividades, o trabalho e as ações de cada um dentro da empresa júnior fazem com que alunos se tornem empreendedores. É beneficiado não só aquele que está pensando em abrir um negócio, mas também o que busca empreender na sua própria vida, no seu dia a dia”, diz Rodolfo.

Texto
Lívia Arcanjo
Texto (Empresas Juniores)
Júlia Mascarenhas
Fotos
Raphael Calixto
Compartilhe
Fale Conosco
+ temas relacionados