Nutrição Mudança de hábito

Balanceamento da alimentação para o controle do diabetes, obesidade e hipertensão
Problemas de saúde como diabetes e pressão alta, desânimo para sair de casa devido ao cansaço fácil pelo excesso de peso e a dificuldade para encontrar roupas eram sinônimos do sofrimento pelo qual Cristina Aparecida Pinto passou até 2014, quando resolveu cuidar da saúde. Com o acompanhamento de profissionais, a vida de Cristina mudou.
“Consegui controlar o diabetes, a pressão e perder peso. Dos 117 quilos que eu tinha, emagreci dez. Eu não gostava nem de me olhar no espelho. Hoje, estou bem melhor. Fiquei muito contente com o atendimento que tive. Todos foram muito atenciosos comigo”, relata a doméstica, de 34 anos, que recebeu acompanhamento na Clínica de Nutrição da PUC Minas.
“Eu não gostava nem de me olhar no espelho. Hoje, estou bem melhor. Fiquei muito contente com o atendimento que tive”
Cristina Aparecida PintoCristina Aparecida é apenas uma das mais de 3.600 pessoas que já foram atendidas na PUC Minas Barreiro desde 2010. A Clínica é referência no atendimento a pessoas diagnosticadas com diabetes, hipertensão e obesidade.
A coordenadora da Clínica de Nutrição, professora Tatiana Resende Prado Rangel de Oliveira, explica que a maioria dos pacientes é direcionada ao local por profissionais dos Centros de Saúde, principalmente na Regional Barreiro. Segundo ela, a clínica é importante para a comunidade, pois permite que todos tenham acesso a informações sobre bem- estar. “É fundamental que a sociedade saiba como está a saúde, e aqui podemos ajudar”, diz.
Rafael Antônio de Almeida, diabético, também é paciente na Unidade. Quando descobriu alterações nos índices de glicemia e triglicérides, o segurança, que trabalha na PUC Minas Barreiro há dois anos, buscou o acompanhamento na clínica. “Acho muito importante o atendimento no local. Desde 2015, quando comecei o tratamento, o nível de glicose baixou e a pressão está estabilizada”, diz.
O diabetes é uma doença crônica silenciosa, caracterizada pelo aumento da glicose no sangue. No Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nove milhões de pessoas possuem diabetes, o que corresponde a 6,2% da população. De acordo com a médica endocrinologista Flávia Beatriz Pieroni, o controle da glicose e de outros fatores relacionados, como hipertensão, obesidade, colesterol e sedentarismo, “podem prevenir situações crônicas da doença”.
Para controlar o diabetes, a obesidade e a hipertensão em pacientes, a Clínica de Nutrição realiza os atendimentos com ênfase no balanceamento da alimentação e orientações sobre os melhores alimentos para consumo diário. Comer com responsabilidade é um dos pontos primordiais para manter uma boa saúde. “Mudar hábitos é difícil, mas estou persistindo na dieta. Manter o foco é tudo”, diz Rafael.
Apesar dos avanços nos últimos anos quanto aos métodos terapêuticos disponíveis para tratar o diabetes, Flávia Pieroni enfatiza que o maior desafio das pessoas que possuem essa patologia é o empenho em modificar os hábitos alimentares.
Além de manter a dieta, Flávia Pieroni defende que, para conquistar bons resultados, o médico exerce um papel fundamental. “O profissional é um importante agente no diagnóstico e tratamento dessas doenças. O incentivo do médico às mudanças de estilo de vida, associado à adesão terapêutica do paciente – tanto às mudanças comportamentais quanto ao uso regular de medicações prescritas –, são as bases da prevenção de complicações”, afirma a endocrinologista.
Incentivo à mudança de atitude
Para o estudante Carlos Henrique Cardoso dos Santos, 23, do 6º período do Curso de Nutrição, o atendimento que a PUC Minas oferece à comunidade tem sido a “porta de entrada para que muitos desses pacientes tomem atitude quanto à saúde”.
Na Clínica de Nutrição, além de professores e especialistas, circulam também cerca de 120 alunos que realizam estágio e monitoria, sempre supervisionados pela coordenadora, e têm a oportunidade de vivenciar todo o trabalho. Para a professora Tatiana Rangel, a experiência dos alunos no local é fundamental para que possam entender a profissão. “Na clínica, eles veem as dificuldades que os pacientes enfrentam para fazer as mudanças nos hábitos alimentares. Isso significa muito”, diz.
Carlos Henrique conta que atuar como monitor não só o ajuda a “ver a realidade dos pacientes, como também a contornar situações inusitadas que podem surgir na vida de um nutricionista”.
Além dos atendimentos gratuitos para esses públicos, também são realizados para toda a sociedade, durante o ano letivo, encontros em grupo com foco em reeducação alimentar.
A obesidade e hipertensão no Brasil
A obesidade é uma doença crônica multifuncional caracterizada pelo excesso de gordura corporal. Nos últimos anos, é um dos assuntos mais discutidos sobre saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os níveis de obesidade duplicaram no mundo.
No Brasil, a doença está com o crescimento estável, como aponta a Pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2014), divulgada pelo Ministério da Saúde. Em 2012, 17,4% da população que era obesa passaram a ser 17,5%, em 2013. Em 2014, o índice representou 17,9% da população.
De acordo com a endocrinologista, um dos pontos essenciais para o sucesso no tratamento da obesidade, baseado na mudança de hábitos alimentares e a prática regular de atividades físicas, é o envolvimento de vários especialistas, como endocrinologistas, nutricionistas, educadores físicos e psicólogos.
Além da obesidade, a hipertensão é outra doença que atinge muitos brasileiros. No país, dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2013 (PNS), realizada pelo IBGE, apontam que 21,4% das pessoas acima de 18 anos são hipertensas. A hipertensão arterial sistêmica (HAS) “é uma doença crônica degenerativa, caracterizada por níveis elevados da pressão arterial”.
O diagnóstico prévio é feito a partir da medição da pressão arterial. De acordo com Flávia Pierioni, o tratamento consiste em realizar atividades físicas, manter uma alimentação saudável, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e abandonar o tabagismo, além de tratamentos medicamentosos. Segundo ela, “a adoção de hábitos de vida saudáveis é parte fundamental da prevenção daqueles que possuem hipertensão”.
Fonte: Flávia Beatriz Pieroni – médica endocrinologista
Serviço: Clínica de Nutrição – PUC Minas Barreiro
Endereço: Avenida Afonso Vaz de Melo, 1.200, Barreiro de Baixo – Belo Horizonte – MG
Informações: (31) 3328-9543