Tecendo o Aprender

Com atendimentos psicopedagógicos gratuitos, iniciativa auxilia estudantes com baixo desempenho acadêmico
Cecília Santos, ex-monitora que atuou por dois anos no projeto durante a pandemia | Foto: Raphael Calixto
Cecília Santos, ex-monitora que atuou por dois anos no projeto durante a pandemia | Foto: Raphael Calixto

Dificuldade de concentração, baixo rendimento dos estudos, estresse e procrastinação. Essas são algumas das queixas apresentadas pelos alunos em relação à vida acadêmica e universitária. Pensando em auxiliar esses estudantes, a professora Rosa Corrêa, docente no Curso de Psicologia e coordenadora do Lape – Laboratório de Psicologia e Educação, criou o Tecendo o Aprender, projeto do laboratório que visa auxiliar os alunos da Universidade a obterem o desempenho acadêmico desejado por eles.

“Eu percebia que os alunos tinham dificuldade em se organizar, em dar conta das matérias e estudar. No caso dos calouros, existe um período de adaptação quando eles saem do Ensino Médio, que tem uma cultura muito diferente da Universidade. A exigência na faculdade é maior, a liberdade é maior, e é o aluno que precisa ser protagonista do processo e ir atrás de tudo. É um mundo diferente”, avalia a professora Rosa Corrêa, coordenadora e supervisora do projeto.

Por meio de atendimentos psicopedagógicos semanais, os alunos são acolhidos pelos monitores do projeto, que realizam as sessões. “O atendimento psicopedagógico entende que no processo de aprendizagem, o aluno tem uma dimensão biológica, psicológica e social. Durante os atendimentos, nós buscamos ensinar aos alunos modos de aprender que funcionem para ele e que irão auxiliá-los no processo de aprendizagem”, explica a professora Rosa.

Implantado na Universidade em 2018, o Tecendo o Aprender atende a alunos de todos os períodos em qualquer campus ou unidade da PUC Minas, em sessões online e gratuitas. Para a aluna Victoria Chagas Romeiro, estudante do 8º período de Psicologia e monitora do Tecendo o Aprender há três anos, participar do projeto é uma oportunidade única. “Para mim, esse é o melhor laboratório do Curso de Psicologia. Lá você consegue ver na prática o que aprendemos na teoria, e para o aluno que está fazendo a monitoria é uma experiência muito enriquecedora”, comenta.

Victoria explica que todo o processo de atendimento, desde o momento da marcação até o desenvolvimento durante as sessões, é feito de modo a facilitar ao aluno interessado a participação no projeto. “Nós buscamos mostrar ao aluno que não é preciso estudar igual a todo mundo. Você pode criar um modelo que funcione para você”, complementa.

O mesmo também é dito pela ex-monitora Cecília Santos, que atuou por dois anos no projeto: “O processo de aprendizagem é um tema que me interessa muito, então, poder vivenciar na prática um atendimento psicopedagógico foi uma excelente experiência”, relata a aluna. Cecília foi monitora do Tecendo o Aprender em 2020 e 2021, anos em que, por conta da pandemia de Covid-19, as aulas aconteciam em regime remoto e, para ela, a existência do laboratório durante esse período foi essencial. “Principalmente durante a pandemia, nós recebíamos muitos alunos com queixas de desmotivação e dificuldades de manter uma rotina. E, muitas vezes, as mesmas dificuldades que eles enfrentavam, nós, monitores do laboratório e do Tecendo o Aprender, também estávamos vivenciando. Então, poder buscar alternativas para essas queixas foi uma experiência muito rica para mim” comenta.

Apenas no ano de 2021, o Tecendo o Aprender atendeu cerca de 120 alunos da graduação e pós-graduação, espalhados pelos diversos campi e unidades da PUC Minas. E o retorno é muito positivo. Em uma pesquisa realizada com os alunos participantes ao fim de 2021, muitos deixaram depoimentos anônimos que demonstram a satisfação em receber os atendimentos. Em um deles, uma aluna que não se identificou diz ter aprendido, por meio do projeto, a respeitar seu tempo de aprendizagem e também de descanso. “A partir do atendimento conheci formas de me organizar melhor e compreendi que, apesar de ser necessário ter um bom rendimento na faculdade, é preciso saber o momento de descansar um pouco. Estava bastante ansiosa querendo aprender tudo muito rápido e a partir do projeto comecei a controlar isso, entendendo que existem matérias que às vezes demoramos mais a assimilar, o que é normal”, relata.

Para a professora Rosa Corrêa, o projeto mostra “a atenção, o cuidado e a preocupação da Universidade com sua comunidade acadêmica, no sentido de estar apoiando os alunos naquilo que eles precisam”.

PARA SABER MAIS

O aluno interessado em ser atendido pelo Tecendo o Aprender deve entrar em contato com o projeto por meio do e-mail lapepucminas@gmail.com, ou através da página do Instagram do Lape em @lapepucminas e solicitar o atendimento.

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