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Inovação A PUC é Tec

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Programa arrojado alavanca startups para ganhar os mercados nacional e internacional

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“O PUC Tec é um programa bastante arrojado, com foco e consultoria de primeira linha em várias áreas”

Professor Nilson de Figueiredo Filho

Um costume de família, no qual o primeiro membro que acordasse teria que preparar o café, mantido até hoje, tornou-se o embrião de um dos negócios que estão sendo atualmente alavancados pelo PUC Tec, o Hub de Inovação, Formação e Negócios da PUC Minas, a fim de ganhar escala no mercado. O criador da empresa, o professor Nilson de Figueiredo Filho, do Instituto Politécnico (Ipuc) da Universidade, onde estudou Engenharia Eletrônica e conheceu colega que também queria esquentar água para um cafezinho. Resultado: a empresa Facilitec, que fabrica o LigueFerv, aparelho que ferve líquidos em três segundos na quantidade necessária de água que irá ser realmente utilizada para aquele preparo específico, seja para um café, para um arroz, para mamadeira ou mesmo para próteses dentárias. E o custo na conta de luz de quem utiliza o aparelho fica em torno de apenas R$1,80 para se esquentar a água equivalente a mil cafezinhos, por exemplo.

“O PUC Tec é um programa bastante arrojado, com foco e consultoria de primeira linha em várias áreas”, elogia o professor Nilson, que considera que a profissionalização da sua empresa começou com o PUC Tec. “Hoje temos vários projetos de estratégias de vendas que não tínhamos pensado até então”, conta ele, que tem como sócias na empresa suas filhas Helena Guimarães de Figueiredo, do 5º período do Curso de Administração da Unidade Praça da Liberdade; e Elisa Guimarães de Figueiredo, do Curso de Medicina do Campus Betim. Desde 2006, a empresa já vendeu 25 mil peças e o próximo cliente provavelmente será um comerciante chinês, que ligou para o professor durante esta entrevista, falando em português.

Com o PUC Tec, num investimento total da Universidade de R$ 3 milhões, a PUC Minas pretende unir essas startups, em estágio de maturação avançado, a grandes empresas, promovendo a inovação de alto impacto, que leve soluções para problemas significativos da sociedade. Para isso, três programas integram o PUC Tec: indução de negócios, geração de densidade e formação do empreendedor.

Para a primeira chamada do PUC Tec, realizada em 2018, houve a participação significativa de 189 inscrições, selecionadas 87, tendo havido 82 bancas examinadoras com a participação de professores e profissionais do mercado. Dessas, foram novamente selecionadas 40 startups, nas quais 80 pessoas iniciaram a indução de negócios, mentoria e assessoria técnica (consultoria especializada), no PUC Tec. Para isso, com consultoria da empresa DMEP, a PUC Minas conta com espaço no Wework, localizado no Shopping Boulevard, na região Leste de Belo Horizonte, com 40 estações de trabalho e sala de reuniões. Espaço que proporciona à Facilitec e às outras startups selecionadas, por exemplo, o contato com outras empresas para comercialização do projeto e promoção de vendas. “Interação, densidade e negócio: a PUC Minas é parceira, acolhe e acompanha, dá segurança a quem está no processo”, diz o professor Nilson.

Das 40 empresas da primeira fase, o PUC Tec selecionou 20 delas, diz Humberto Torres Marques Neto, coordenador da iniciativa e professor do Programa de Pós-graduação em Informática da Universidade. O ecossistema PUC Tec, de acordo com relatório do lançamento, constitui-se de empresas, em média, com 17 meses de idade; 31% são spin offs; R$3,9 milhões no total faturados em 2018; 9 são de marketplace/varejo; 9 de TI/engenharia; dez de educação/saúde; e 12 de alimentos/Ambiente/RH/ Jurídico/Imobiliário. Já os alunos da Universidade nelas bolsistas, custeados pela Universidade, 60% deles são da área de TI e 30% de marketing/comercial. Das inscritas na chamada do PUC Tec, 15% estavam no estágio ideação; 64% na validação; 38% na implantação; e 10% na escalada. Oitenta por cento das propostas recebidas atenderam à qualidade, e para 20% faltou estágio de maturidade, estavam ainda na ideação, com potencial frágil, informa Torres. O PUC Tec também oferece aos participantes um MBA de Inovação Corporativa, com 20 vagas para essas empresas. “Com o PUC Tec, a PUC Minas conseguiu se posicionar no sistema de inovação de Minas Gerais, as pessoas sabem o que é, o programa é reconhecido nos órgãos municipais e estadual”, observa o professor Humberto.

 

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O professor Humberto Torres, coordenador do PUC Tec, com Sandrelise Chaves, sócia da SporTI, em reunião no espaço da PUC Minas no Wework

Mudança de paradigma

O pró-reitor de Pesquisa e de Pós-graduação, professor Sérgio de Morais Hanriot, ressalta que o PUC Tec, criado no interior da PUC Minas, tem o objetivo de captar ideias e produtos de alunos e professores para que possam escalar para o mercado, inclusive o internacional. “Precisamos dessa massa de alunos, 66 mil pessoas só dentro da Universidade, para o PUC Tec ajudar a expandir o produto e o negócio”, disse ele sobre a presença do PUC Tec em todas as unidades e campi da Universidade e também extramuros, como o espaço no Wework. “Iniciar um curso superior na Universidade é como entrar numa piscina, você pode ficar na superfície ou pode mergulhar, ter acesso a toda a estrutura que a PUC Minas oferece”, observa. “Se participa de iniciação científica, do PUC Tec, dos laboratórios, é um aluno diferenciado e isso influenciará na sua trajetória”. Das 40 startups selecionadas no PUC Tec, pelo menos 21 têm a participação de membros da comunidade acadêmica da Universidade, como estudantes, professores, ex-alunos e funcionários técnico-administrativos. Nova rodada selecionou 12 dessas e, depois, permanecem quatro delas.

Para Bruno Pfeilsticker, fundador da DMEP, a PUC Minas está vivendo uma mudança de paradigma, conectando grandes empresas a startups. “É um projeto ousado para a PUC Minas e para o mercado, muito bonito ver uma Instituição de 60 anos buscando reinvenção e conexão”, elogia. A DMEP trabalha os pilares da indução, formação (com o MBA) e comunicação e interação com o ecossistema, fazendo uma condução dessas empresas, um grande diagnóstico em cada resultado. Todas elas sabem o que devem fazer para crescer, gerando resultados tangíveis e intangíveis”, diz Bruno. “O PUC Tec é um movimento excelente, uma Instituição de ensino tradicional desenvolvendo um projeto de inovação”, elogia Tiago Amaral, do Wework Labs.

Esporte como negócio

Já Sandrelise Chaves, 32, é fundadora e sócia da SporTI, uma plataforma de fomento ao esporte criada em 2016, junto com Cristian Gomes, ex-aluno de Sistemas de Informação da PUC Minas. Ela considera importante a conexão estabelecida com empresas do país e do exterior e a estrutura usufruída no espaço do Wework. “Com a consultoria em cada área específica do negócio da SporTI, conseguimos uma visão holística e profunda”, diz Sandrelise, que é presidente da Comissão de Startups da OAB Contagem. Pelo PUC Tec, a SporTI está buscando assessoria técnica com o Curso de Educação Física da Universidade, gerando oportunidades de negócio. Neste ano de 2019, a SporTI tem previsão de faturamento de R$ 1,5 milhão, cinco vezes mais que no ano passado. Foram novas conexões abertas com a participação da empresa no PUC Tec: a empresa ministrou dois cursos na CBF e o desenvolvimento da visão do esporte como negócio. “O PUC Tec entrega essas conexões e também geramos valor para a PUC Minas. Se não estivéssemos no PUC Tec não teríamos condições para isso”, diz, referindo-se ao desenvolvimento de tecnologia para distribuir metodologia de ensino para escolas de esporte.

A empresa Mesa Lab, de Daniel Mourão de Andrade, ex-aluno do Curso de Administração da PUC Minas, trouxe para o Brasil um sistema de automação de contato, o CallNow. Esse sistema oferece automatismo e velocidade para uma empresa entrar em contato com o consumidor, por exemplo, quando ele navega por um site à procura de um carro e se interessa em receber ligação de uma concessionária de veículos. Em menos de 20 segundos, a concessionária recebe uma ligação automática da CallNow, conectando a concessionária ao consumidor, o que, de acordo com Daniel, aumenta em até 400% a conversão de um cliente, pelo automatismo e rapidez. Trabalhando numa empresa automobilística, tomou a decisão de empreender e começou a fazer pesquisa de funcionalidades já oferecidas no mundo, como o sistema de call back, no qual o cliente solicita e recebe uma ligação. “Nunca tinha sido empreendedor. Não basta ter uma ideia, há a necessidade de estruturá-la para que cresça, para que a ideia pare de pé”, diz Daniel sobre a importância do PUC Tec. “O PUC Tec preparou a empresa para crescer e ter estrutura organizacional”, diz. Atualmente a empresa tem faturamento de R$9 mil por mês e expectativa de quintuplicar este valor até dezembro deste ano.

Oportunidade de crescimento

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Denilson Amaro (à esq.) e Daniel Merli (à dir.), ex-alunos do Campus Poços de Caldas e sócios da empresa Santo Cartão

Daniel Merli Morais e Denilson José Amaro Silva, ex-alunos do Campus Poços de Caldas e sócios da empresa Santo Cartão, também estão participando do PUC Tec. O Santo Cartão é uma empresa de venda de ingressos para eventos, que atende tanto o produtor, com uma plataforma para gerenciamento de vendas, quanto o consumidor, com um e-commerce para vendas de ingressos e produtos diversos para os eventos. A empresa atende atualmente eventos de música eletrônica, sertanejo, e outros nichos em todo o território nacional, com penetração mais forte na região Sudeste.

Para os sócios, que não participaram de qualquer programa de aceleração antes do PUC Tec, essa é uma oportunidade extremamente relevante para qualquer startup. “O programa de indução de negócios está nos aproximando da academia e das grandes corporações e permitindo que possamos aprender e nos desenvolver cada vez mais, uma vez que os desafios enfrentados por estes acabam sendo diferentes dos nossos, o que também naturalmente acaba gerando uma ajuda mútua”, comenta Daniel Merli.

A expectativa deles é fechar o ano de 2019 com aproximadamente R$4 milhões transacionados na plataforma. Com a mentoria e consultoria oferecidas pelo PUC Tec, a empresa pode aumentar esses números. “A bagagem técnica, tanto dos professores da PUC Minas quanto dos consultores da DMEP, está sendo de fundamental importância para nosso crescimento como empresa e nos deixando cada vez mais preparados para enfrentar os desafios constantes do mercado”, comenta Denilson Amaro.

 

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Texto
Leandro Felicíssimo
Colaboração
Beatriz Reis
Fotos
1Raphael Calixto
2Maressa Basso
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