Nesta edição da Revista PUC Minas que antecede as eleições majoritárias e parlamentares de 2022, um assunto deve merecer específica atenção do debate público: como os candidatos se posicionam em relação ao trabalho e à situação do trabalhador.
O trabalho na vida social possui muitos significados e sentidos. O mundo se move por ele e por meio dele a vida se desenha e avança. E trabalhar se mostra essencial para a vida do homem. É por meio dele que homens e mulheres se realizam e se dignificam. “É a primeira vocação do homem: trabalhar. E isto dá dignidade ao homem. É a dignidade que o faz assemelhar-se a Deus. A dignidade do trabalho.”, nos ensina o Papa Francisco em sua Encíclica O trabalho é a vocação do homem, de maio de 2020.

Professor Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães
Reitor da PUC Minas
Bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte
Na contemporaneidade da tecnologia que revolucionou todo o globo, não parece ser exagero afirmar que os avanços tecnológicos não têm servido para amenizar a lida do trabalhador e libertá-lo. Pelo contrário, em inúmeras frentes e modalidades, tem o tornado ainda mais um servomecanismo do que produz. Há aí certamente implicações de distintas ordens, mas se o trabalho possui uma dimensão econômica e mesmo cultural, para compreender as condições em que se realiza e se mantém, também deve ser pensado a partir da política. Pois é na política que as condições de realização do trabalho e o reconhecimento e proteção ao trabalhador são decididos.
É urgente que nesta agenda de debates pré-eleitorais seja incluída a temática do mundo do trabalho e do trabalhador. Faz-se necessário mapear e distinguir, em todos os níveis do processo eleitoral, candidaturas que, com sinceridade, acolhem e se comprometem com a pauta de discussões como a imediata revisão de medidas que no Brasil têm levado à precarização das condições de trabalho e redução da proteção do trabalhador em sua vida ativa e de aposentado. Se as novas tecnologias trouxeram novas lógicas e dinâmicas para a economia e, consequentemente, para o mundo do trabalho, apenas esse argumento não deve servir para que o trabalhador seja simplesmente abandonado a sua própria sorte em uma relação de forças com o poder econômico que lhe é histórica e tragicamente desfavorável.
Impossível dissociar os mundos da política e da economia quando o tema são o trabalho e o trabalhador. Categoria histórica universal, o trabalho que produz tanta riqueza e tantas fortunas também produz exploração, injustiça e fome. Desigualdades e assimetrias que tornaram as sociedades cada vez mais abismais, separando ricos e pobres, e, por isso mesmo, mais violentas. O voto de todos e de cada um tem verdadeira potência para mudar esse quadro no Brasil. É preciso votar em propostas que tenham clara intenção de apoiar reformas nos direitos trabalhistas e de proteger os desempregados e aposentados. Proteger o trabalhador é dar um passo decidido para que melhoremos como sociedade, permitindo que a cidadania, em que se respeite os direitos sociais coletivos e individuais, se fortaleça.